“CONHECE-TE A TI MESMO” - de Vagner Braz



O homem nasce, cresce, morre[1]. Essa é a natureza trágica da vida: totalmente trágica. Entretanto, o que é a vida? A vida não pode ser vista como algo abstrato, no entanto, percebia como concreto. Ou seja, real em si mesma, porque diz respeito a cada ser humano de forma bastante singular. Todavia, o que seria a vida para um indivíduo em pleno leito de morte? Ou até mesmo, para um indivíduo condenado à morte?
Para o indivíduo que está prestes a morrer, a vida pode ser considerada o último suspiro que lhe resta, um momento único, no qual o que mais vale é aproveitar até o último sopro de vida. Assim sendo, a vida é algo precioso, quando escrevemos, matutamos, experimentamos, vivemos, ora, a vida em si é valiosa. Logo, ao recomendarmos de quando éramos crianças, percebermos o quanto tínhamos a alegria de viver, contudo, porque perdemos essa afoiteza, típico da meninice? Podemos dizer que o tempo, assim como a água que segue o curso do rio, acaba-se demudando para não regressar.
A alegria de viver é o princípio essencial para encontrar o sentido da própria existência. Arthur Schopenhauer (1788-1860) assinala que “nascimento e morte pertencem à vida e equilibram-se mutuamente como condições recíprocas, ou melhor, como polos do fenômeno total”[2]. Nesse sentido, o pensamento é quase importante contra a poderosa voz da natureza trágica da vida, e certifica: “no homem, portanto, como no animal que não pensa, reina permanentemente esta segurança, oriunda da consciência profunda de ser ele próprio a natureza e o mundo”[3].
 Ou seja, vivemos em um mundo globalizado, em que o homem ganha informações a todos os momentos, influência dos meios de comunicação, da economia, etc.. Viver é um espetáculo, no entanto, existem dificuldades, tais como, o desemprego (que atingem até pessoas capacitadas para o mercado de trabalho), a descriminação (pela cor, pelo sexo, pela política, pela religião, pela orientação sexual e até mesmo pela idade), a doença (a fatalidade da humanidade, por exemplo, a Aids, o Câncer),  que podem levar à exclusão social.
A consciência do trágico é humana. Assim, o homem é ele e suas circunstâncias porque está enraizado numa peleja que se chama viver, pois para articular o processo precisa buscar/lutar, como, um gladiador no palco de duelo, com todas as suas forças. Mesmo assim, o seu destino tende a ser trágico, principalmente, porque levará a morte.




[1] Para muitos cientistas esse processo é conhecido como “o ciclo natural da vida”. Nesse ensaio não queremos negar esse termo, porém, produzimos mais subsídios ao estudo do Trágico.
[2] SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo como Vontade e Representação: Livro IV. Trad. Heraldo Barbuy. Disponível em: <http://coral.ufsm.br/gpforma/1senafe/biblioteca/schopenhauer_o_mundo_como_vontade_pt4.pdf>. Acessado em 09 de Dezembro de 2014, ás 00h57min.
[3] Ibidem.
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