POETA MATO-GROSSENSE DIOGO DE CARVALHO NASCIMENTO - ENTREVISTA




Olá, caros leitores. Hoje estamos aqui para prestigiar a Arte Poética do Poeta Diogo de Carvalho Nascimento. Apreciei a poesia de Diogo de Carvalho Nascimento pela primeira vez na rede social, Facebook e, por aí diante conheci sua verve poética noutras temporadas. Ele é mato-grossense de Nova Olímpia, poeta, estudante de Direito da UNEMAT, ativista ambiental, pesquisador. Já foi enxadrista e professor de xadrez, sendo membro federado pela Federação Internacional de Xadrez. Gentilmente concedeu esta entrevista exclusiva. Com vocês, Diogo de Carvalho Nascimento.


Fonte: Arquivo Pessoal do Poeta.


Vagner Braz: Diogo, darei início com uma questão de praxe: Como e quando adveio a sua incidência com a Arte Poética?

Diogo de Carvalho Nascimento: Escrevi o meu primeiro poema na 4ª série do ensino básico por obrigação de uma aula de Língua Portuguesa, mas não dei continuidade, o que só veio a ocorrer no ano de 2009 (já aos 15 anos) quando pela primeira vez tive contato com a poesia de Fernando Pessoa, mais especificadamente o poema O Rio que Passa Pela Minha Aldeia, do heterônimo Alberto Caeiro. Recordo bem deste momento. Li o belo poema durante uma aula de Geografia da minha turma (8ª série da Escola Estadual Wilson de Almeida) num livro didático que falava sobre a cultura portuguesa. A partir deste poema de Fernando Pessoa despertei a curiosidade para ler poesia e simultaneamente para escrever. Logo comprei dois cadernos, um no qual eu copiava à mão os poemas prediletos, outro no qual eu escrevia poemas meus. Em pouco mais de 2 meses escrevi mais de 600 poemas, obviamente estes não tinham grande qualidade técnica, mas eram partes de um exercício, hoje sei.

VB: Quais influências abalizaram na sua infância e adolescência (juventude), cooperando para sua formação como Homem (questões humanas) e na Academia?

DCN: Não noto em minha infância influências de autores, pensadores ou intelectuais. Vivi minha infância na companhia da minha mãe e minhas irmãs. Por razões de divórcio convivi pouco com meu pai e meu irmão mais velho. As influências que sofri na infância foram poucas, mas destas poucas todas vem das mulheres da minha casa, principalmente da minha mãe que é uma mulher decidida, impaciente, valente e que não teme desafiar os outros quando possui a razão, bem aos modo dos nordestinos em geral, como ela é. Aliás, meus pais são pernambucanos, tenho dois irmãos paraenses, uma irmã mato-grossense e um padrasto alagoano. Alguns amigos me dizem que tenho um sotaque diferente, mas eu não noto.
Em relação a Academia, minhas influências são poucas, pouquíssimas, pois o ambiente acadêmico jurídico é de regra (repito, de regra), formado por pessoas pró- forma, que vestem-se de maneira igual, que falam de maneira igual, que pensam e agem de maneira igual e portanto, são uma massa praticamente homogênea, unânime, e parafraseando Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, quem pensa com os outros não precisaria pensar. Na UNEMAT, campus de Barra do Bugres, onde curso Direito tenho contado com Vívian Lara Cáceres Dan, minha professora e amiga, Única que demostra preocupação com a educação jurídica e o seu papel social.

VB: Você é um acadêmico de Direito (grande área de conhecimento do CNPq: Ciências Sociais Aplicadas). Que avaliação você faz desta interação e relação com pessoas dessa área de conhecimento?

DCN: Ao que tenho percebido nestes primeiros passos acadêmicos jurídicos, o mundo do Direito é em geral formado por pessoas alienadas, superespecializadas, com pouco conhecimento em outras disciplinas senão o Direito. Acredito que a maioria obedeça ao seguinte ciclo; elas saíram do ensino médio sabendo pouco, fizeram um cursinho para passar no vestibular ou ENEM, passaram aí esqueceram o conteúdo. Uma vez dentro da graduação em Direito estudam alguns dias para a prova, fazem a prova, passam e em seguida esquecem o conteúdo novamente. Um belo dia se atinge o último semestre, forma-se com notas excelentes, mas não aprendeu nada, esqueceu tudo. Então vem o Exame da OAB. Novamente o pretenso jurista faz um cursinho, passa na OAB. Depois ele escolhe um ramo do ramo, do ramo do ramo do Direito e se especializa e passa quase todo o resto da vida estudando aquela especialidade. Nisso ignora Literatura, Filosofia, Antropologia, Psicologia, Música, Ciências Exatas, e pasmem, sacrifica o próprio Direito em prol de uma especialidade. Sobre isso, lembro Marx quando dizia que toda especialização é um idiotização.
É difícil conviver com pessoas que adotam uma maneira de observar e agir no mundo de maneira tão restrita. A impressão que tenho é que a carreira jurídica faz um processo de boçalidade do estudante, de tal maneira que não raro ele ingressa no curso criativo e sai um tolo domesticado, doutrinado. Felizmente, no meu curso de Direito tenho contado com mentes mais aguçadas que a média em geral, além de pessoas que boa índole, inteligência e bom humor, o que prova que nem tudo está perdido.

VB: Você também escreveu um livro. Por gentileza, expõe para nós sobre a sua criação literária (demonstre algumas) e também pondere sobre o seu novo projeto de autoria?

DCN: Em abril deste ano publiquei o livro Poemas de Verão cujos poemas que o compõem escrevi no verão de 2014. São poemas com temas variados com um certo cunho lírico, como por exemplo o poema da contracapa, Saudade, todavia isso não exclui uma boa quantidade de poemas mais dramáticos que versam sobre o tempo, sobre a morte, sobre o inconsciente, como faz o poema A Morte.

 
Fonte: Arquivo Pessoal do Poeta.1ª Edição
Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
Saudade

É deixar quem ama sem querer
 É perceber que amor ficou e a
 Pessoa amada partiu.
É ter guardada, não a semente
 Mas o fruto de um amor intenso.
É desejar estar tão distante para
Ter alguém por perto outra vez.
É pagar por fazer a vida valer a pena.
É sofrer silenciosamente.
No fundo só não sofre quem não ama,
 Assim, o maior sofrimento é não sofrer.

A morte

 A morte chega como um carteiro
Trazendo um telegrama
E a vida toda se torna um grão
Que nada mais fecunda.
Em breve seremos apenas um corpo
Por quem alguém rezou Mais adiante, o pó que o vento varre.
Nem todo instante é o último, mas todos Podem bem ser.
Contudo não murchamos a flor antes da hora
Cantemos e dancemos em torno da fogueira Depois de ouvir nossos mestres.
Tudo tem um fim. Mas quem disse que viver não é celebrar?


Tive a ideia de realizar a publicação quando por coincidência me apareceu no e-mail um anúncio de editoras. Apenas digitei alguns no Word, enviei a editora e aguardei contato. Todo o processo foi lento e a editora ultrapassou o prazo de publicação que tinha me dado, o que a princípio me deixou frustrado, mas pelo que converso com amigos também autores, as editoras em geral são mesmo devagar.
No momento planejo o meu próximo livro. Iniciei o projeto há cerca de 4 meses e tenho escrito bem pouco, em função dos estudos jurídicos, as outras publicações que realizo relacionadas ao curso de Direito e as pesquisas acadêmicas em geral. O novo livro vai se chamar Traço Tropical. Já tem 25 poemas, mas quero chegar a 70 até março de 2016, quando devo enviá-lo para uma editora. Semelhante ao meu primeiro livro, não possui uma temática específica e tecnicamente ainda é mais variado, com poemas metrificados, outros mais soltos.

VB: As suas criações têm uma intensa carga poética nas questões humanas, com vistas para os desejos, os medos, as vontades. É por meio de quais inspirações que você cria a sua poesia?

DCN: Em geral não possuo inspiração, aqui entendida como algo etéreo, espiritual. Não, nada disso. Eu como escritor sou quase que puramente racional em meu processo de criação. Isso não quer dizer que ora ou outra não exteriorize pessoalidades por meio da poesia, apenas acho que isso não é o essencial. Não compartilho da imagem do escritor boêmio, apaixonado, cujos versos refletem a sua vida intima, os seus sentimentos. Compartilho sim, o pensamento pessoano quando se diz que o poeta é um fingidor. Sentir sinta quem lê. Também ao contrário da imagem tradicional, não costumo há muito escrever em papel. Tenho preocupações ambientais, sou voluntário do Greenpeace. Quanto menos papel for gasto no mundo melhor. Escrevo direto no computador, ou em notas no meu celular, ou direto na minha página do Facebook.

VB: Já escreveu por Amor?

DCN: Há pouco mais de um mês escrevi um poema para minha namorada Sandrely Ugulino Cardoso, a quem tenho amado e admirado. Sim.

VB: Você escreve regularmente? Como se dá a conciliação dessas atividades no seu trabalho/dia a dia?

DCN: Não escrevo de forma regular. Muitas vezes passo semanas sem escrever um só verso, ou escrevo vários poemas no mesmo dia. Quando escrevo é pela manhã ou de madrugada quando chego na UNEMAT.
Não tenho problemas em conciliar as minhas atividades, pois durmo pouco, cerca de 4 ou 5 horas por noite, o que me permite ser mais produtivo.

Muito obrigado, Diogo. Conheça mais do trabalho do Poeta Diogo de Carvalho Nascimento no Facebook.
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